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Sheroes: o primeiro café do mundo administrado por sobreviventes de ataques com ácido

Sheroes: o primeiro café do mundo administrado por sobreviventes de ataques com ácido

No Sheroes Hangout, o masala chai é servido com uma dose de realidade, pelas mãos de sobreviventes de ataques com ácido. São elas o rosto e a força motriz do café fundado em 2014, em Agra, no norte da Índia, pela Fundação Chhanv, com o objetivo de gerar oportunidades de trabalho e autonomia para mulheres que enfrentaram esse tipo de violência.

Os ataques com ácido, geralmente associados a disputas domésticas, rejeições amorosas, conflitos por dote ou avanços sexuais recusados, deixam marcas profundas: desfiguração, cegueira e longos processos de reabilitação. Em países com altos índices de desigualdade de gênero, muitas vítimas acabam isoladas, afastadas da vida pública por conta do estigma e das dificuldades de acesso a estudo e emprego.

No Sheroes, porém, essas mulheres decidem ocupar o espaço público e compartilhar suas histórias. Em uma tarde de outono, turistas fotografavam a equipe do café, que usava camisetas com a frase “Minha beleza é o meu sorriso”. Nas paredes, retratos e relatos das sobreviventes reforçam o sentido do nome do projeto, uma junção de “she” e “heroes”, que evidencia o protagonismo dessas mulheres.

A iniciativa surgiu a partir da história de Geeta Mahor, atacada pelo marido enquanto dormia com as filhas: uma morreu e outra ficou cega. Sem renda nem apoio, sua trajetória levou o cofundador Ashish Shukla a criar o café como alternativa concreta de sobrevivência e reconstrução.

Hoje, o Sheroes Hangout conta com unidades em Agra e Lucknow, emprega dezenas de mulheres e oferece formação em idiomas e ofícios. Ainda assim, os desafios persistem: faltam políticas públicas eficazes, as taxas de condenação são baixas e o ácido segue de fácil acesso.

Dados oficiais apontam que, apenas em 2022, cerca de 200 ataques com ácido foram registrados na Índia, número que pode ser maior devido à subnotificação. Nesse contexto, o café não apenas gera renda, mas também enfrenta o estigma e afirma que é possível reconstruir a vida com dignidade.

Fonte: midianinja.org

Publicado em: 2026-04-24 19:04:00 | Autor: <span>Planeta Ella</span> |

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