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Relatório da Maioria explica ‘assalto aos aposentados’ na gestão Bolsonaro

Relatório da Maioria explica ‘assalto aos aposentados’ na gestão Bolsonaro

Um esquema bilionário de corrupção, montado para drenar economias de aposentados e pensionistas foi detalhado no Relatório da Maioria apresentado na Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) que investigou fraudes no INSS. O documento revela um “ecossistema criminoso” que vitimou cerca de 5 milhões de pessoas, com desvios estimados em R$ 3,3 bilhões. Por decisão do presidente da CPMI, o senador Carlos Viana, a comissão finalizou os trabalhos em ter relatório. Ele se recusou a colocar em votação o texto produzido pela maioria governista. 

A investigação aponta que o esquema era uma estrutura profissionalizada que floresceu sob o governo de Jair Bolsonaro, mediante a flexibilização deliberada de normas e a ocupação estratégica de cargos por servidores coniventes.

A bancada do PT na CPMI do INSS entrega nesta terça-feira, 7, o Relatório da Maioria aos principais órgãos de controle e investigação do país.

Os núcleos do crime e o modus operandi

A fraude operava através de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS. Associações de fachada utilizavam empresas de call center e dados vazados para realizar descontos não autorizados diretamente na folha de pagamento dos segurados. O dinheiro era, então, lavado em empresas terceirizadas que não prestavam serviços reais.

O Relatório da Maioria identifica oito grupos principais de empresários e “laranjas”, além de um nono núcleo de articulação política:

1. CONAFER (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil): associação comandada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, que funcionava como um grupo empresarial familiar e movimentou R$ 806 milhões em descontos não autorizados até março de 2025;

2. CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura): presidida por Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, a entidade saltou de um para 340 mil filiados em dois anos, arrecadando quase R$ 222 milhões;

3. Eixo Maurício Camisotti: operador central que utilizava associações (como AMBEC, CEBAP e UNSBRAS) para contratar empresas de seu próprio grupo, arrecadando aproximadamente R$ 845 milhões;

4. Eixo “Golden Boys” (Américo Monte Jr, Anderson Cordeiro, Felipe Gomes e Igor Delecrode): grupo de jovens que assumiu entidades que mudaram seus estatutos para representar aposentados, movimentando mais de R$715 milhões;

5. Eixo Cecília Mota: advogada e principal operadora financeira de diversas entidades no Ceará (como AAPB, AAPEN, CAAP e CENAP), cujos descontos somaram cerca de R$ 750 milhões;

6. Eixo Alexsandro Prado (“Lequinho”): empresário que controlava as associações UNIVERSO, ACOLHER e ASBRAPI em Sergipe, arrecadando valor próximo a R$ 500 milhões através de filiações falsas;

7. Eixo Domingos Sávio de Castro: operador em Belo Horizonte que utilizava empresas de call center e consultoria para ocultar a origem de R$435 milhões arrecadados por entidades como UNASPUB e ABAPEN.

8. Operador Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): empresário que participava de diferentes núcleos, atuando na recepção e repasse de recursos de várias entidades para servidores públicos;

9. Núcleo de agentes públicos e articulação política: grupo construído com base na origem institucional de seus agentes (servidores e diretores do INSS) e nas articulações políticas que sustentavam o esquema.

Veja aqui a íntegra do Relatório da Maioria.

Leia também um resumo que identifica os núcleos criminosos.

Responsabilidade política e indiciamentos

O Relatório da Maioria constata que a gestão Bolsonaro removeu barreiras de controle essenciais, permitindo a expansão das entidades fictícias. Por conta disso, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado por furto qualificado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa. O senador Flávio Bolsonaro também figura na lista de indiciados por organização criminosa.

Além do desvio das mensalidades, a CPMI apontou o uso eleitoral do Auxílio Brasil em 2022. Cerca de 93% das contratações de crédito consignado ocorreram em outubro daquele ano, às vésperas do segundo turno, sem estudos técnicos e com juros abusivos.

Reconstrução e proteção: a resposta do Governo Lula

Desde 2023, ano em que assumiu, o governo do presidente Lula tem atuado para estancar a sangria e reparar os danos aos beneficiários. As ações já apresentam resultados concretos:

Ressarcimento: cerca de 4,34 milhões de pessoas já foram ressarcidas, totalizando quase R$ 3 bilhões devolvidos aos bolsos dos trabalhadores;

Nova Legislação: foi sancionada a Lei nº 15.327/2026, que proíbe definitivamente descontos associativos diretos nos benefícios previdenciários, eliminando a ferramenta usada pelos criminosos;

-Propostas de Futuro: o relatório propõe nove novas medidas legislativas, incluindo a proteção de dados de idosos e o combate ao assédio comercial.

O desmonte desse esquema reafirma o compromisso do Partido dos Trabalhadores com a dignidade da pessoa idosa e com a transparência pública, colocando fim a um período em que o Estado foi usado para saquear os cidadãos em vez de protegê-los.

Rede PT de Comunicação. 


Fonte: pt.org.br

Publicado em: 2026-04-07 16:27:00 | Autor: Agência PT |

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