Uma discussão unindo povos indígenas, cientistas/pesquisadores de História e Arqueologia e especialistas em Turismo de Base Comunitária foi a solução encontrada para dirimir uma fraude que vem sendo cometida contra o Caminho do Peabiru de S.Catarina por um grupo político-empresarial bolsonarista de Joinville e Garuva desde 2021.
O 1º Seminário Catarinense do Caminho do Peabiru, em 24 de abril no Plenarinho da ALESC (Assembleia Legislativa de SC), das 8 às 18 h, será uma promoção da Escola do Legislativo com iniciativa da Rede Brasileira de Trilhas (RBT) e do presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Marcos José de Abreu (Marquito).
Sem incas e sem Ratanabá
“Vamos, nós estudiosos brancos e índios Guarani/Xokleng Laklãnõ/Kaingang, limpar a história e a memória ancestral do Caminho catarinense. Vamos varrer para longe a anticiência bolsonarista praticada pelo grupo de Joinville e Garuva, negando definitivamente as teses falseadoras da presença inca peruana no litoral do Estado e das pretensas ligações do Peabiru com a inexistente ‘cidade perdida’ de Ratanabá”, afirmou a jornalista Rosana Bond, de AND, que pesquisa o Peabiru há 30 anos tendo vários livros publicados.
Ela será palestrista da Mesa/Eixo 2 do evento, Caminho do Peabiru no âmbito da pesquisa historiográfica e arqueológica junto com Artur Barcelos (professor da FURG Universidade Federal do Rio Grande e membro destacado da SAB, Sociedade de Arqueologia Brasileira) e o historiógrafo Fábio Krawulski Nunes (de Jaraguá do Sul, especialista em manuscritos/fontes primárias do século 16).
Programação e Inscrição para plateia
8h- Credenciamento e Abertura
9 às 12 h Mesa Eixo 1– Povos originários e sua relação com o Caminho do Peabiru
Integrantes – Pajé Wanderley Karai Yvydju Mirim (etnia Guarani, pesquisador em Astronomia Indígena/Arqueoastronomia, graduado em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica UFSC); Walderes Coctá Priprá (etnia Laklãnõ Xokleng, doutoranda em Arqueologia USP); Josué Carvalho Kaingang (etnia Kaingang, LABHIN UFSC Laboratório de História Indígena, professor de História); mediadora Eunice Kerexu Ixapyry.
13:30 às 15:30h Mesa Eixo 2– Caminho do Peabiru no âmbito da pesquisa historiográfica e arqueológica
Integrantes – Artur Barcelos (professor da FURG Universidade Federal do Rio Grande/RS); Fábio Krawulski Nunes (historiógrafo especialista em manuscritos/fontes primárias do século 16); Rosana Bond (jornalista e pesquisadora); mediador Fernando Angeoletto.
15:30 às 17:30h Mesa Eixo 3 – Potenciais culturais, turísticos e ambientais do Caminho do Peabiru
Integrantes – Sara Fernanda de Moraes (Rede Brasileira de Trilhas/RBT); Rafael Freitag (professor, mestrado em Turismo e Hotelaria, consultor em Turismo de Base Comunitária); Luciano de Azambuja (historiador, doutorado em Educação UFPR, Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica UFPR, professor do IFSC Florianópolis Instituto Fed. de Educ. Ciência e Tecnologia); Geovane Altair da Silva (técnico em Guia de Turismo); mediadora Adriana Nunes (IMA Instituto de Meio Ambiente de SC, coordenadora Rede Brasileira Trilhas SC).
Os 100 lugares disponíveis na plateia serão ocupados mediante inscrição no link da Escola do Legislativo ALESC: eventos-escola.alesc.sc.gov.br
Totens e currículo escolar
O seminário não se limitará aos ricos debates e sim terá consequências práticas posteriores ao dia 24.
A principal delas será a ALESC solicitar à Secretaria de Educação a inclusão do tema Caminho do Peabiru na grade escolar de S. Catarina. “Será ensinado para nossas crianças e adolescentes para que se orgulhem de possuir aqui em nosso Estado um notável trecho daquilo que foi a mais importante via transoceânica milenar indígena da América do Sul pré-colombiana, do Atlântico ao Pacífico”, diz Rosana.
A Rede Brasileira de Trilhas, por sua vez, deverá instalar totens contendo mapa do percurso correto peabiruano e as cidades onde passava o traçado.
Honra ao náufrago
Outro efeito prático será requerimento à Câmara de Vereadores de Florianópolis para “batizar” um logradouro público na praia de Naufragados com um nome homenageando o náufrago Aleixo Garcia e seus amigos indígenas guaranis que, percorrendo o Peabiru, descobriram a civilização inca no Alto Peru vários anos antes dos espanhóis, diferente do que conta a chamada “história oficial” nos livros.
Também será solicitada, por outro lado, a revisão e correção da Lei da Rota Turística do Peabiru de SC, pois esta incluiu erradamente, por ato do deputado Fernando Krelling, os municípios de Joinville e Garuva.
AND participou da ideia
O jornal A Nova Democracia (AND) ao publicar com exclusividade dois laudos periciais do Ministério Público Federal (MPF) contendo denúncias e nomes como os do vereador bolsonarista Henrique Deckmann (Joinville) e um grupo de pessoas apontadas por envolvimento numa lei propositalmente deturpada/equivocada (Rota Turística do Peabiru de SC) e de fraudar informações sobre o Caminho, ajudou os promotores do seminário a idealizar uma solução ao escândalo bolsonarista.
E-BOOK O caminho de Peabiru: Descobertas e segredos da rota indígena que ligava o Atlântico ao Pacífico – VOLUME 1 (História do Caminho de Peabiru)
Descrição: O Caminho de Peabiru foi a mais importante estrada indígena interoceânica da América do Sul pré-colombiana. Ia do Atlântico ao Pacífico, do Brasil…
Publicado em: 2026-04-21 11:12:00 | Autor: Redação de AND |

