A Associação Mulheres de Fibra, formada por artesãs da zona rural de Maragogi, completa 15 anos de atuação consolidando um modelo de produção artesanal sustentável baseado na fibra da bananeira. A iniciativa, criada em 2009, tem contribuído para a geração de renda e fortalecimento da economia local por meio da valorização da renda filé.
O grupo é composto por dez mulheres e foi idealizado por AmaraLúcia de Oliveira. A associação desenvolveu uma técnica própria ao substituir o algodão tradicional pela fibra natural extraída do tronco da bananeira, mantendo a base do bordado da renda filé, reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Alagoas.
As peças produzidas incluem roupas, acessórios, itens decorativos e utilitários, elaborados manualmente com linha e agulha sobre redes, incorporando elementos culturais e identitários da região.
Técnica artesanal une tradição e inovação
A metodologia aplicada pelas artesãs combina práticas sustentáveis, reaproveitamento de matéria-prima e preservação cultural. O uso da fibra da bananeira representa uma alternativa ecológica e amplia as possibilidades de aplicação da renda filé.
Inicialmente aprendida com artesãs de comunidades vizinhas, a técnica foi sendo aprimorada ao longo dos anos com apoio de capacitações e parcerias institucionais. A formalização da associação ocorreu em 2011, com apoio da prefeitura local, da Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
O modelo adotado pelo grupo possibilitou autonomia financeira às integrantes e contribuiu para a diversificação das atividades econômicas no assentamento Água Fria, na zona rural do município.
Parceria com hotel amplia visibilidade da produção
A produção da associação passou a integrar a experiência de hospedagem no Sais Beach Living Hotel, localizado na Praia de Pajuçara, em Maceió. As peças artesanais são oferecidas como mimos aos hóspedes no momento do check-in.
Entre os itens disponibilizados estão cestinhas, cachepôs, caixas de fibra e marcadores de livro, além de produtos gastronômicos e itens de bem-estar associados à cultura local. A iniciativa conecta visitantes à produção artesanal e amplia a circulação das peças.
A parceria também inclui produtos autorais, como cocadas elaboradas pelo chef Altemar Silva e obras em cerâmica da artista Fernanda Cedrim, reforçando a integração entre diferentes expressões culturais.
Impacto econômico e valorização cultural
A atuação da associação contribui para a valorização do artesanato regional e fortalecimento do empreendedorismo feminino. O trabalho coletivo tem ampliado a visibilidade da produção artesanal alagoana, especialmente no contexto do turismo.
A iniciativa também evidencia a relação entre economia criativa, identidade cultural e desenvolvimento local, ao inserir produtos artesanais em ambientes de circulação turística.
Segundo AmaraLúcia de Oliveira, a parceria com o setor hoteleiro representa uma oportunidade de expansão e reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas artesãs, além de incentivar a continuidade da produção.
Perspectivas e continuidade do projeto
Com 15 anos de atuação, a Associação Mulheres de Fibra mantém foco na ampliação da produção, qualificação técnica e acesso a novos mercados. O grupo segue investindo em inovação sem descaracterizar os elementos tradicionais da renda filé.
A iniciativa se consolida como referência em práticas que integram sustentabilidade, geração de renda e preservação cultural, com potencial de replicação em outras comunidades.
Fonte: jornalgrandebahia.com.br
Publicado em: 2026-04-12 19:00:00 | Autor: Redação do Jornal Grande Bahia |



