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Terras raras: especialistas explicam por que parceria com os EUA não faz sentido

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Terras raras: especialistas explicam por que parceria com os EUA não faz sentido

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Sputnik Brasil

À Sputnik Brasil, analistas afirmam que a expertise da China no setor, aliada à disposição de Pequim para transferência de tecnologia, faz do país um parceiro… 30.10.2025, Sputnik Brasil

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Compostas por um grupo de 17 elementos químicos de difícil extração, as terras raras são cruciais para a fabricação de ímãs, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias para a indústria de defesa.De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda pelas terras raras deve aumentar significativamente até 2040, impulsionada pela transição energética, tornando esse setor um flanco de disputa geopolítica entre potências.Atualmente, o mercado de terras raras é liderada pela China, que domina 90% da cadeia produtiva global. O país asiático também lidera o ranking das maiores reservas de terras raras do mundo, com 44 milhões de toneladas, 49% do total conhecido. Em sétimo lugar no ranking, com apenas 1,9 milhão de toneladas (2,1%), estão os EUA.Encurralado pela vantagem de Pequim, que usa seus minerais como elemento de pressão política, o governo norte-americano corre para diversificar suas fontes de terras raras. No meio da disputa entre Estados Unidos e China, está o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras raras, com 21 milhões de toneladas, ou 23% do total mundial, mesmo conhecendo apenas 27% do seu subterrâneo.Nesse contexto, o governo norte-americano busca uma cooperação com o Brasil no setor, tendo enviado nesta semana diplomatas ao país para negociar com mineradoras brasileiras. O encarregado de Negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para discutir possíveis parcerias entre os países na área de minerais críticos.De olho nas terras raras brasileiras, os norte-americanos estão longe de ter a expertise chinesa na mineração e processamento das terras raras, detalham especialistas à Sputnik Brasil.Em entrevista à reportagem, Daniel Santos Kosinski, do Departamento de Evolução Econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), defende que o Brasil adote uma visão pragmática para a situação, mas considera que a parceria com a China é mais interessante.Segundo Kosinski, tradicionalmente os Estados Unidos não têm interesse em facilitar, promover ou cooperação com o desenvolvimento de outros países do continente americano, Brasil incluso. “Essa é uma região que, dentro da geostratégia americana, cabe aos EUA se manterem, acima de qualquer dúvida, como a grande potência única.”Dessa forma, ele afirma que a China também teria muito a ganhar em uma parceria com o Brasil. Por outro lado, Pequim poderia usar suas capacidades tecnológicas e produtivas para proporcionar ao país “saltos qualitativos” no setor.Desenvolvimento nacionalPara o economista, o ideal seria que o Brasil seguisse o caminho da China, que alcançou o controle extraordinário sobre a produção de terras raras com muito investimento em ciência e tecnologia e um projeto de desenvolvimento e autonomia nacional. “Essas seriam as lições que o Brasil poderia aprender, ou deveria aprender.””Só que acontece é que a nossa situação é muito diferente, infelizmente. Nós somos um país que carece, terrivelmente, de um projeto de país nesse momento.”O professor e coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Charles Pennaforte, avalia à Sputnik Brasil que um bom parceiro no setor é aquele que traz investimentos e agregue tecnologias que, no futuro, permitam ao Brasil explorar e transformar esses materiais.Porém, ele considera que uma cooperação com a China seria mais vantajosa, pois Pequim tem sido um importante parceiro do Brasil no ponto de vista geopolítico, apoiando o país em vários momentos.Um exemplo de vantagem ao Brasil seria a colaboração na questão dos resíduos, problema típico de qualquer extrativismo. “A China trabalha com isso, polui, mas, ao mesmo tempo, é líder na questão de energia limpa. É um dilema que todo país que procura se desenvolver vai ter que trabalhar com essa dinâmica”, observa o analista.Terras raras e o BRICSAlgo que chama bastante atenção dos entrevistados é o fato dos países que compõe o BRICS possuírem 72% das reservas mundiais de terras raras.No cenário que se desenvolve, isso confere aos membros do grupo uma “alavancagem considerável” dos seus interesses geopolíticos e nacionais, diz Kosinski.No entanto, o analista frisa que ter o recurso não basta se não houver estratégia para utilizá-los e articulação interna. O mesmo diz Pennaforte, que reforça que o grupo deveria criar mecanismos para se beneficiar dessa vantagem.Kosinski, contudo, alerta que é preciso deixar de lado uma visão que coloca o BRICS como uma “panaceia” para os problemas brasileiros. “Parece que tudo se resolve através do BRICS. E não é assim que funciona.”

https://noticiabrasil.net.br/20251028/brasil-pode-perder-chance-de-ouro-se-nao-usar-terras-raras-para-desenvolvimento-nacional-44657506.html

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Especiais

À Sputnik Brasil, analistas afirmam que a expertise da China no setor, aliada à disposição de Pequim para transferência de tecnologia, faz do país um parceiro mais vantajoso que os EUA, que vêm cortejando o Brasil para uma cooperação na exploração das reservas de terras raras brasileiras.

Compostas por um grupo de 17 elementos químicos de difícil extração, as terras raras são cruciais para a fabricação de ímãs, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias para a indústria de defesa.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda pelas terras raras deve aumentar significativamente até 2040, impulsionada pela transição energética, tornando esse setor um flanco de disputa geopolítica entre potências.

Atualmente, o mercado de terras raras é liderada pela China, que domina 90% da cadeia produtiva global. O país asiático também lidera o ranking das maiores reservas de terras raras do mundo, com 44 milhões de toneladas, 49% do total conhecido. Em sétimo lugar no ranking, com apenas 1,9 milhão de toneladas (2,1%), estão os EUA.

Encurralado pela vantagem de Pequim, que usa seus minerais como elemento de pressão política, o governo norte-americano corre para diversificar suas fontes de terras raras. No meio da disputa entre Estados Unidos e China, está o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras raras, com 21 milhões de toneladas, ou 23% do total mundial, mesmo conhecendo apenas 27% do seu subterrâneo.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), em setembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 28.10.2025

Brasil pode perder chance de ouro se não usar terras raras para desenvolvimento nacional
Nesse contexto, o governo norte-americano busca uma cooperação com o Brasil no setor, tendo enviado nesta semana diplomatas ao país para negociar com mineradoras brasileiras. O encarregado de Negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para discutir possíveis parcerias entre os países na área de minerais críticos.

De olho nas terras raras brasileiras, os norte-americanos estão longe de ter a expertise chinesa na mineração e processamento das terras raras, detalham especialistas à Sputnik Brasil.

Em entrevista à reportagem, Daniel Santos Kosinski, do Departamento de Evolução Econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), defende que o Brasil adote uma visão pragmática para a situação, mas considera que a parceria com a China é mais interessante.

Segundo Kosinski, tradicionalmente os Estados Unidos não têm interesse em facilitar, promover ou cooperação com o desenvolvimento de outros países do continente americano, Brasil incluso. “Essa é uma região que, dentro da geostratégia americana, cabe aos EUA se manterem, acima de qualquer dúvida, como a grande potência única.”

“O caso da China é diferente. A América do Sul é uma região muito estratégica para a China. A segurança alimentar e energética chinesa tem muitos interesses aqui.”

Dessa forma, ele afirma que a China também teria muito a ganhar em uma parceria com o Brasil. Por outro lado, Pequim poderia usar suas capacidades tecnológicas e produtivas para proporcionar ao país “saltos qualitativos” no setor.

Para o economista, o ideal seria que o Brasil seguisse o caminho da China, que alcançou o controle extraordinário sobre a produção de terras raras com muito investimento em ciência e tecnologia e um projeto de desenvolvimento e autonomia nacional. “Essas seriam as lições que o Brasil poderia aprender, ou deveria aprender.”

“Só que acontece é que a nossa situação é muito diferente, infelizmente. Nós somos um país que carece, terrivelmente, de um projeto de país nesse momento.”

O professor e coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Charles Pennaforte, avalia à Sputnik Brasil que um bom parceiro no setor é aquele que traz investimentos e agregue tecnologias que, no futuro, permitam ao Brasil explorar e transformar esses materiais.

“Você pode ter esses minérios críticos, mas se não consegue transformá-los em um produto final, isso tudo não tem muito sentido.”

Porém, ele considera que uma cooperação com a China seria mais vantajosa, pois Pequim tem sido um importante parceiro do Brasil no ponto de vista geopolítico, apoiando o país em vários momentos.

Um exemplo de vantagem ao Brasil seria a colaboração na questão dos resíduos, problema típico de qualquer extrativismo. “A China trabalha com isso, polui, mas, ao mesmo tempo, é líder na questão de energia limpa. É um dilema que todo país que procura se desenvolver vai ter que trabalhar com essa dinâmica”, observa o analista.

Mina de lítio no Salar de Uyuni, na Bolívia - Sputnik Brasil, 1920, 22.02.2024

Quem explora lítio no Brasil? País pode entrar na estratégia de refino do minério, vê analista

Algo que chama bastante atenção dos entrevistados é o fato dos países que compõe o BRICS possuírem 72% das reservas mundiais de terras raras.

No cenário que se desenvolve, isso confere aos membros do grupo uma “alavancagem considerável” dos seus interesses geopolíticos e nacionais, diz Kosinski.

No entanto, o analista frisa que ter o recurso não basta se não houver estratégia para utilizá-los e articulação interna. O mesmo diz Pennaforte, que reforça que o grupo deveria criar mecanismos para se beneficiar dessa vantagem.

“”Sem dúvida nenhuma, é um ganho, é um soft power que deve ser levado em consideração.”

Kosinski, contudo, alerta que é preciso deixar de lado uma visão que coloca o BRICS como uma “panaceia” para os problemas brasileiros. “Parece que tudo se resolve através do BRICS. E não é assim que funciona.”

O Brasil precisa de um projeto de país. E aí o BRICS é uma oportunidade dentro desse projeto, não é a solução dos nossos problemas.”

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Fonte: noticiabrasil.net.br

Publicado em: 2025-10-30 18:10:00 | Autor: |

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