Na noite do dia 9 de março, moradoras da comunidade Coelha II organizaram um protesto independente na Câmara de Vereadores de Viçosa. A manifestação foi organizada por mães do povo e suas filhas (crianças alunas de creches e escolas de ensino fundamental). A população da comunidade está na espera há 17 anos por direitos básicos como pavimentação, posto de saúde, creche, coleta de lixo e mais horários de ônibus. – desde quando a comunidade foi criada com uma distância aproximada de 4,6 km do centro de Viçosa, em 2010, através do projeto “minha casa, minha vida”.
As moradoras confeccionaram cartazes e fizeram intervenção para demonstrar a indignação com a demora “eterna” e promessas não cumpridas pelos políticos profissionais. A moradora Neuza, representante da comunidade, denunciou na “Tribuna Livre” da Câmara dos Vereadores a situação em que se encontra a população: mães que enfrentam uma dura jornada para levar seus filhos à creche, poeira extrema, barro em tempo de chuva – que dificultam até a locomoção com veículos e pessoas pela estrada – falta de transporte coletivo, coleta de lixo e posto de saúde.
Ao longo desses 17 anos, moradores da comunidade já foram várias vezes até a prefeitura, mas nada adiantou. Desta vez, para mostrar a hipocrisia dos políticos profissionais, colocaram durante a “Tribuna Livre” um vídeo em que o atual prefeito, empresário do ramo imobiliário, prometeu a pavimentação da estrada. O que chocou os presentes é que no vídeo, o prefeito ainda estava de máscara, significando que o vídeo é do começo da pandemia, quando foi prefeito pela segunda vez. Hoje o prefeito está no seu terceiro mandato.
O.rganização independente na busca por direitos
Em entrevista ao AND, Neuza, moradora da comunidade há 17 anos, percebeu a dificuldade que outros moradores passavam quando seu veículo quebrou: “Tudo começou quando tive minha filha e não pude mais andar de moto, e tive que usar o transporte público e ver a dificuldade que é… eu tenho veículo, mas os outros não. Por isso nasceu o desejo dessa luta, porque todo mundo tem o direito de ir e vir… e eu tô nessa luta há 17 anos, e só vou parar quando tiver feito a estrada pra nós”.
Ao ser questionada por nossa correspondência local do AND sobre as promessas e explicações dadas por vereadores na mesma noite após a fala de Neuza, e se ela via confiabilidade no que foi dito pelos políticos reacionários, ela responde: “Não. São palavras tão vagas que eles não falam a data de quando vai acontecer, só falam que vão fazer… confio na mobilização, sim, nos vereadores e prefeito, não”.

O AND também entrevistou Letícia, moradora há 6 anos e mãe, onde a mesma apresenta as reivindicações coletivas: “A estrada, a falta de creche, porque não tem creche lá perto, e o PSF (posto de saúde)”.
Para ter acesso ao posto de saúde mais próximo, os moradores têm de passar por um escadão (cerca de 10 minutos de subida) feito para escoamento da água da chuva. Pessoas com deficiência física e idosos não conseguem ter acesso, por exemplo.
Quem quiser chegar até o centro da cidade e não tem veículo próprio precisa enfrentar uma jornada de mais de 1 hora de caminhada até o centro, já que a linha de ônibus opera em horário extremamente reduzido.
Quando perguntada pela nossa correspondência local sobre se ela acreditava nas promessas feitas pelos vereadores, Letícia responde: “Não. Nenhum deles. Só acredito vendo, só acredito quando o asfalto chegar lá e eles botarem… só fala mesmo; só falou, falou, falou…”.

A cada dia que passa, o povo perde as esperanças na política institucional e eleitoreira do velho Estado, se organizando cada vez mais de forma independente para exigir seus direitos, como nos conta Neuza: “Desde domingo (08/03) nós estamos assim, juntamos as crianças lá em casa pra fazer os cartazes. Hoje o celular tocou ‘24 por 24’, chamando um, chamando outro… se mobilizando pra gente tá aqui hoje”.
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Publicado em: 2026-03-11 20:30:00 | Autor: Giovanna Maria |
