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Cultura

Condenação de Bolsonaro aponta para um Brasil menos passivo diante do absurdo

Condenação de Bolsonaro aponta para um Brasil menos passivo diante do absurdo

“O que há de inédito nesta ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro.” A frase da ministra Cármen Lúcia, durante o julgamento da trama golpista de Jair Bolsonaro, marcou a decisão histórica da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-presidente nesta quinta-feira (11).

Por 4 votos a 1, os ministros reconheceram Bolsonaro e parte da cúpula do seu governo como responsáveis pela conspiração. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e deterioração de patrimônio tombado. Além dele, também foram condenados Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), Walter Braga Netto (ex-ministro e candidato a vice em 2022) e Mauro Cid (ex-ajudante de ordens).

A condenação dos réus rompe com a tradição de impunidade que, ao longo da história, blindou os responsáveis por golpes e conspirações no Brasil. Ao responsabilizar um ex-presidente da República, o STF afirma que a democracia não pode ser relativizada ao sabor de interesses autoritários. Neste caso, a decisão sinaliza que o Estado Democrático de Direito não é ornamento descartável, mas fundamento a ser defendido.

Com sentença decretada no mesmo ano em que a  redemocratização  completa 40 anos ,  Cármen Lúcia verbalizou, ao votar, que o julgamento ultrapassa o campo jurídico. A ministra lembrou que o país carrega um “melancólico histórico de termos poucos repúblicos e advertiu para a necessidade de proteger as instituições diante de sucessivas tentativas de ruptura.

A responsabilização de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal aponta para um Brasil menos resignado diante de ataques contra a democracia. Ao longo da história, golpes de Estado, conspirações militares e rupturas institucionais encontraram terreno fértil na passividade nacional e na falta de punição aos seus artífices. Dessa vez, porém, o tribunal sinalizou que não há espaço para tolerar a subversão das urnas e a tentativa de instalar o arbítrio.

Esse ponto de vista foi contemplado  no voto do ministro Flávio Dino, que afastou as acusações de arbitrariedade dirigidas ao Supremo: “Estamos aqui fazendo o que nos cabe, cumprindo nosso dever. Isso não é ativismo judicial, não é tirania, não é ditadura. Pelo contrário, é a afirmação da democracia que o Brasil construiu.”

As penas aplicadas aos demais réus dimensionam o alcance da decisão do Supremo. Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão, e Anderson Torres e Almir Garnier, com 24 anos cada, receberam as maiores punições depois de Bolsonaro, evidenciando a participação ativa de militares e do aparato de segurança na conspiração. Augusto Heleno foi sentenciado a 21 anos, confirmando o envolvimento de uma das figuras mais próximas ao ex-presidente. Já o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira recebeu 19 anos, enquanto Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e hoje deputado federal, foi condenado a 16 anos e 1 mês, com a perda do mandato.

Fonte: www.geledes.org.br

Publicado em: 2025-09-11 21:15:00 | Autor: Geledés Instituto da Mulher Negra |

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