A cidade de Feijó foi palco de uma grande mobilização popular na região: os moradores mantiveram a BR-364 interditada por mais de 48 horas. O protesto, que se iniciou no dia 28 de fevereiro, exigia respostas concretas sobre a situação do Hospital Geral de Feijó e também denunciava sucessivos casos de negligência médica atribuídos à falta de estrutura da unidade.
Desde a sexta-feira, moradores montaram barreiras no trecho urbano da BR-364, permitindo apenas a passagem de ambulâncias e situações emergenciais. Caminhões, ônibus e veículos particulares ficaram retidos por horas, formando filas quilométricas nos dois sentidos da estrada, sendo liberados de quatro em quatro horas pelos próprios moradores. O bloqueio só foi encerrado após a intervenção da Polícia Rodoviária Federal, que desmontou fisicamente as barricadas montadas pelos manifestantes, sendo alvos do repúdio das massas.
Durante o protesto, agentes da PRF advertiram que a interdição de rodovia federal “configurava crime”, ainda segundo manifestantes, houveram ameaças de prisão caso o bloqueio não fosse encerrado. A ameaça revoltou as massas que são obrigadas a protestar para ter o mínimo de acesso à saúde pública de qualidade.
Ainda durante o período de interdição, um episódio envolvendo um policial militar ampliou a indignação da população. De acordo com testemunhas, o agente teria apontado ironicamente para uma comerciante local e comentado com outro policial que ela estaria “dando desconto para faccionados”. A fala foi considerada ofensiva e estigmatizante pela população, que afirmaram terem se sentido tratados como bandidos por estarem reivindicando melhorias na saúde pública. Outros manifestantes também sofreram ameaças de prisão por parte da polícia rodoviária.
Histórico de denúncias e denúncias de mortes
Reportagens do jornal A Nova Democracia já haviam noticiado nos últimos dois anos casos de mortes e negligência médica relacionados à precariedade do hospital, incluindo denúncias de falta de equipamentos básicos e falhas estruturais.
No ano de 2024, o governo do estado do Acre foi obrigado a anunciar a instalação de um hospital provisório em Feijó, após ampla pressão popular, diante de obras intermináveis no Hospital de Feijó.
AC: Após pressão popular, Governo do Acre anuncia hospital provisório em Feijó – A Nova Democracia
A decisão foi tomada após uma reunião que ocorreu ontem, entre a população de Feijó e os secretários estaduais Pedro Paschoal (Saúde), Ítalo Lopes (Obras) e Luiz Calixto (Governo).
Reunião com o governo começa com declaração de ilegalidade
Após o fim da interdição, foi realizada uma reunião entre representantes do Governo do estado do Acre e as massas, no dia 23 de fevereiro. Inicialmente, o governo pretendia permitir a entrada de apenas seis representantes dos manifestantes, a decisão provocou revolta instantânea nas massas, que logo exigiram participar do encontro. Uma das representantes do movimento se posicionou firmemente e exigiu que todos pudessem entrar. Diante da pressão popular, o acesso foi ampliado.
Logo no início da reunião, segundo participantes, um representante da Polícia Rodoviária Federal declarou abertamente que o movimento “era ilegal perante a lei”, em razão do bloqueio da rodovia federal. A fala gerou indignação entre moradores, que defenderam o direito constitucional à manifestação.
Um dos representantes do governo também citou – convenientemente – que o governo estava ampliando a “segurança pública” para “defender a população”. O encontro ocorreu sob forte presença de forças de segurança. Havia agentes armados com fuzis dentro da sala da reunião, ao redor do espaço e também do lado de fora do prédio. Entre os efetivos destacados estavam equipes do BOPE, do Grupo Especial de Fronteira (GEFRON), da Polícia Militar do Acre e da Polícia Rodoviária Federal.
Moradores relataram que o ambiente lembrava “uma série de narcotráfico”, em referência ao volume de armamento pesado presente em um espaço que deveria ser dedicado a discussão da conclusão da reforma do hospital. Muitos moradores relataram durante a própria sessão se sentirem intimidados, indignando-se com o tratamento do governo perante a situação. O governador Gladson Cameli não compareceu à reunião, o que gerou críticas entre os manifestantes, já que o mesmo não se pronunciou publicamente a respeito das condições do hospital.
O governo estadual afirmou que o primeiro bloco da reforma do hospital será concluído até até abril, uma comissão dos manifestantes foi eleita para visitar regulamente os andamentos da obra. O mesmo já havia sido feito em 2024, mas não surtiu o efeito esperado.
Ainda assim, o episódio evidenciou uma crise mais profunda que atinge o povo Feijoense: as denúncias acumuladas de negligência médica causada pela crise na Saúde aumentam e os relatos de mortes tornam-se mais comuns. A criminalização do protesto e questionamentos sobre o uso ostensivo de forças armadas em contextos de reinvindicações populares aumentaram entre a população, já que, coincidentemente, verificou-se na rotina dos moradores uma presença incomum de agentes armados do Estado nas ruas: PRF, GEFRON, BOPE e Polícia Militar. Apesar das tentativas crescentes de criminalizar as reinvidicações justas do povo, as massas mantém-se atentas as promessas do governo, que via de regra não são cumpridas.
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Publicado em: 2026-03-05 20:08:00 | Autor: Redação de AND |

