Calor e tempo de prateleira contribuem para que clara vá perdendo consistência
Publicado em 19 de março de 2026 às 14:15
Além do preço alto na prateleira – com o preço da placa com 30 ovos subindo mais de 4% em Salvador, outro ponto tem deixado os consumidores intrigados: a consistência da clara, como se ela estivesse mais ‘aguada’ ou líquida.
“O pessoal reclama muito quando pega em mercado, diz que é aguado, que o ovo é fraco”, diz o permissionário Sidnei Almeida, vendedor da Feira de São Joaquim, que tem escutado de seus clientes o mesmo comentário: que os ovos que compram estão ‘aguados’.
O maior motivo desse enfraquecimento é o calor. É o que explica Edna Souza. “Geralmente o ovo aguado está relacionado a temperaturas altas. Ambientes quentes e mais tempo de prateleira contribuem para que a clara vá perdendo aos poucos a sua consistência”, diz.
Há uma combinação de fatores para o registro desse aumento (Passe para saber mais) por Arisson Marinho/CORREIO
Alguns cuidados são essenciais na hora de comprar ovos. Aspectos como as condições da casca – sem sujidades ou trincas – e a presença de selo de inspeção e data de validade devem estar no topo da lista de prioridades. E outro ponto essencial é entender que não, tamanho não é documento aqui.
“O importante é conhecer a procedência e o manejo que o criador tem. O tamanho do ovo está mais ligado à fase de vida da galinha: no início da postura os ovos são menores e com o passar do tempo ficam maiores”, afirma a produtora Patrícia Tanner.
Quando a dúvida é entre comum e orgânico, as maiores diferenças são o preço e as condições de criação dos animais, uma vez que no último as galinhas são criadas livres, com área de pasto, e os insumos são mais caros.
“Em termos de bem estar animal, não tem comparação. As galinhas das granjas de produção convencional, mantêm as galinhas em pilhas de gaiolas pela vida quase toda. Isso gera um risco maior de doença e eles usam antibióticos preventivos para evitar”, diz Tanner.
Galinhas põem menos ovos na Quaresma?
Entre as causas do aumento, estão fatores como o “efeito Quaresma” (em referência ao período em que católicos evitam o consumo de carne) e as altas da soja, que compõe a alimentação das galinhas, e do combustível.
Mas aqui entra também uma história conhecida: a de que a oferta cai porque as galinhas põem menos ovos durante a Quaresma. A afirmação tem certo fundamento, mas a motivação dos galináceos não é lá religiosa.
“A ovulação da galinha é estimulada pela luz. De janeiro a junho, o tempo de horas de luz no dia diminui e isso provoca uma diminuição progressiva na produção”, explica Patrícia Tanner. As aves precisam de 14 a 16 horas de luz por dia para manter uma produção regular.
Produtora de ovos caipiras, Edna Santos não pretende aumentar o valor dos seus produtos neste mês. A granja dela, em Serrinha, no centro norte da Bahia, trabalha com criação de ovos do tipo caipira em processo manual, e não reduz a produção nos primeiros meses do ano. Isso por conta do programa de luz utilizado, que prolonga o tempo de claridade mesmo no período em que os dias são mais curtos. Segundo ela, o uso segue a orientação da veterinária da granja.
Fonte: www.correio24horas.com.br
Publicado em: 2023-04-11 15:09:00 | Autor: Maria Raquel Brito |

