O júri ”popular” absolveu, na noite de 11/02, os PMs Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal. Eles assassinaram o adolescente de 13 anos, Thiago Flausino, em 07/08 de 2023 na entrada da Cidade de Deus, em Jacarepaguá. Após dois dias de um farsesco julgamento, o júri “popular” absolveu os criminosos.
Segundo testemunhas, a cena do crime foi modificada para incriminar o adolescente, com os policiais colocando uma pistola ao lado do corpo de Thiago Flausino para simular um confronto, e alterando a direção de uma câmera de segurança que apontava para o corpo do jovem. Os defensores dos PMs utilizaram fotos no celular do adolescente para tentar colocá-lo como “bandido” e ignorar o fato, uma execução sumária e a sangue-frio que utilizou de recursos particulares dos agentes, especificamente um carro e um drone.
No dia 10/02, através de um contundente protesto, parentes de outras vítimas do velho Estado denunciaram ao AND os crimes cometidos contra o povo das favelas. Para além disso, muitas mães se colocaram de maneira combativa e sem esperar nada desse judiciário como Maria Rúbia, mãe de Pablo Henrique e assassinado em 2019: “A gente vai continuar lutando porque desse Estado não esperamos nada, eles são coniventes com a polícia. Eu não acredito na justiça deste Estado assassino porque se houvesse mesmo uma justiça já tinha acontecido essa audiência.”
Absolvição de PMs no Brasil
Longe de ser uma característica particular do Rio de Janeiro, também em outras regiões Brasil afora, PMs envolvidos em assassinatos e chacinas são corriqueiramente inocentados nos tribunais do júri, movidos em julgamentos onde a sensação de intimidação do júri, a contra-propaganda da imprensa burguesa e a criminalização do povo pobre e preto têm importante papel.
Em julho de 2025, sete PMs foram inocentados no tribunal do júri do Ceará pela Chacina de Curió, que assassinou 11 pessoas em novembro de 2015 na periferia de Fortaleza.
Em 2024, um júri popular inocentou o PM Rodrigo Jose de Matos Soares que assassinou a menina Ágatha Felix em 2019.
Em 2018, outro júri popular absolveu os PMs que assassinaram cinco jovens na Chacina do Borel em 16 de abril de 2003.
Um artigo da Agência Brasil de 2024, mostra que o júri popular condenou 20 casos de um total de 1224 investigações concluídas, entre 2015 e 2020, na cidade de São Paulo, ou seja, aproximadamente 1,6% de todas as investigações.
As condições externas nos julgamentos são citadas pelo artigo, onde a exposição dos jurados e a presença de policiais à paisana influenciam “veladamente” nos resultados do processo.
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Publicado em: 2026-02-14 16:22:00 | Autor: Giovanna Maria |

