A falta de carnavalescas no Grupo Especial da luz ao debate da rara presença feminina no mundo do samba. Atualmente, a história é feita por Annik Salmon, que está à frente do Arranco do Engenho de Dentro, escola da Série Ouro. No decorrer da trajetória das agremiações, carnavalescas como Rosa Magalhães e Marcia Lage fizeram parte da elite do samba – no entanto, com suas mortes, as vagas foram preenchidas apenas por homens. “A sociedade desacredita tanto nós, mulheres, de fazermos coisas fora da lógica casa-maternidade, que muitas não se sentem capazes, não veem tantos exemplos e preferem evitar a decepção. A falta de representatividade é complicado, parece que a gente não tem como chegar nesse lugar”, diz Annik à coluna GENTE.
Segundo a presidente da Estação Primeira da Mangueira, Guanayra Firmino, existe um preconceito com mulheres que ocupam o cargo de carnavalesco, criando vácuo de representação e obrigando as mulheres a serem mais ativas politicamente. “Nós precisamos de mais mulheres em todos os lugares. Então, as mulheres têm que vir, meter a cara. Se tem competência, se acha que tem, vai por isso”, diz. Evelyn Bastos, rainha de bateria da Verde e Rosa, afirma que houve um pequeno avanço no protagonismo feminino nas agremiações – hoje há uma intérprete mulher na Beija-Flor de Nilópolis, a Jéssica Martin. Mesmo assim, há muito chão para se caminhar. “Acredito nesse progresso, acredito nessa evolução. Sou otimista, acredito nesse carnaval inclusivo. Só tenho a acreditar e ser esperançosa com as mulheres em todos os espaços”, conclui.
Publicado em: 2026-02-14 16:00:00 | Autor: Mafê Firpo |



