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GO: Família de Wendel Victor exige justiça após jovem ser baleado por policial à paisana

GO: Família de Wendel Victor exige justiça após jovem ser baleado por policial à paisana

Na noite de segunda-feira (05/01) em Valparaíso de Goiás (GO), Wendel Victor da Silva Pereira, de 21 anos, foi atingido por dois disparos de arma de fogo efetuados por policiais militares descaracterizados. O jovem, que havia acabado de sair do cinema com amigos, encontra-se internado em estado grave na UTI do Hospital Regional de Santa Maria (DF), compondo mais um capítulo da guerra civil reacionária movida pelas forças de repressão contra a juventude trabalhadora.

Wendel e seus amigos estavam em um carro que apresentou uma pane elétrica. “Eu apertei o botão de novo, deu partida, o carro pegou e estabilizou. Aí eu liguei para o meu pai, para ele não precisar trazer as ferramentas, só vir buscar a gente”, relatou um amigo ao monopólio de imprensa. Dessa forma, o pai orientou que o jovem deixasse o carro no estacionamento de uma concessionária perto do shopping, local sem movimento, enquanto ele iria buscar ajuda.

Na saída do cinema, os amigos aguardavam o retorno do pai do jovem, dono do carro. Ao começar a chover, os dois jovens correram para se abrigar no carro. Enquanto tentavam dar partida no veículo, foram abordados por dois homens em um carro branco, totalmente descaracterizados e sem fardamento. Segundo as testemunhas, não houve diálogo, identificação ou ordem de parada: os agentes já chegaram disparando. “Os policiais chegaram totalmente descaracterizados. Eu travei, o carro andou. No que o carro andou um pouco, eles já meteram bala na gente, foi uma questão de segundos”, relatou o amigo da vítima à TV Anhanguera, afiliada do monopólio de imprensa Globo.

A versão da Polícia Militar (PM) de Goiás, entra em contradição com a versão das vítimas. Em nota oficial, a corporação alega que os policiais emitiram ordens de parada e que o condutor “avançou com o veículo em direção aos policiais”, gerando um suposto “risco iminente”. Entretanto, as marcas de tiros na porta do passageiro, onde Wendel estava, e o relato das vítimas desmentem a narrativa oficial. “Eles não se identificaram como polícia, o carro não tinha nada a ver [com uma viatura]. Os meninos pensaram que era um assalto”, afirmou uma testemunha, expondo que a reação dos jovens foi o puro instinto de sobrevivência diante de agressores armados.

Mesmo com a vítima baleada, os policiais perseguiram o veículo até o hospital. O amigo de Wendel, temendo pela própria vida e pela do amigo, optou por levá-lo pessoalmente ao socorro, desconfiando da intenção dos militares. “Eu falei: ‘Ó, liga pra todo mundo, fala que a gente tá sendo perseguido por eles’. Quando chegou lá no hospital, já tinha viatura lá esperando a gente”, contou o jovem, evidenciando o cerco intimidador que se formou em torno do crime cometido pelos agentes à paisana.

A indignação da família ecoa o grito de milhares de mães brasileiras que perdem seus filhos para o braço armado do Estado. Geisa Barbosa Silva, mãe de Wendel, desabafou emocionada: “Ele está entubado, em estado muito, muito grave. É revoltante. Saíram para um passeio os jovens da igreja para assistir um filme e voltam com meu filho nesse estado”. A revolta de Geisa é a revolta de uma classe que vê seus filhos serem caçados por sua cor e classe, seja na cidade ou no campo.

Casos de assassinatos policias se repetem com impunidade

O caso de Wendel não é um “infeliz erro” ou um fato isolado, mas parte de uma engrenagem de terrorismo institucional. Em Duque de Caxias (RJ), no dia 1º de agosto de 2025, o jovem Matheus da Silva dos Santos, de 19 anos, foi assassinado em uma operação ilegal da Polícia Civil e Militar. Matheus, funcionário do Tribunal de Justiça, foi baleado dentro de uma barbearia por policiais em carros descaracterizados. A mãe de Matheus relatou que o socorro foi negado e que policiais chegaram a apontar fuzis para ela e para o filho caído, que dritava “eu não quero morrer”. Matheus morreu após o que a família denuncia como uma execução finalizada dentro do hospital.

RJ: Jovem morre após ser baleado em operação da PM, em Duque de Caxias – A Nova Democracia

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A violência contra quem trabalha também se manifestou em Jacarepaguá (RJ), onde o entregador Valério Souza Júnior foi baleado no pé por um policial penal após se recusar a subir até o apartamento para entregar um pedido. O agente criminoso, José Rodrigo da Silva Ferrarini, disparou subitamente contra o trabalhador e permaneceu inerte. A impunidade, outra marca do velho Estado, garantiu que o agressor fosse liberado após um breve depoimento, sendo preso temporariamente apenas após a eclosão de protestos populares que exigiam justiça.

Na Paraíba, o bairro de Mandacaru, em João Pessoa, rebelou-se contra a PM entre os dias 12 e 13 de outubro de 2025, após um adolescente de 17 anos ser baleado. A população enfrentou as forças de repressão com barricadas em chamas, denunciando que o jovem já havia se entregado quando foi alvejado. Este é o padrão: a PM alega “confronto” ou “reação”, enquanto moradores e laudos periciais provam o caráter unilateral e covarde dos disparos. 

PB: Massas se rebelam contra Polícia Militar após jovem ser baleado em ação policial – A Nova Democracia

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Na chamada Grande Chacina da Penha, no Rio de Janeiro (28/10/2025), a maior operação policial da história recente vitimou 136 pessoas nos complexos da Penha e Alemão. Entre os mortos, 17 não possuíam qualquer antecedente criminal, nomes como Carlos Eduardo Felício e Marcos Antonio Junior foram executados sumariamente. Relatos de mulheres assediadas sexualmente por policiais, casas invadidas e corpos com mãos amarradas e marcas de facadas compõem o quadro de horror que o velho Estado brasileiro impõe às favelas.

A reacionarização do velho Estado brasileiro acelera-se sob o pretexto da “ordem”. Enquanto as instituições  como a Polícia Civil de Goiás prometem investigações “sob sigilo”, a realidade nas ruas é de guerra civil não declarada contra o povo. O caso de Wendel em Valparaíso, o assassinato de Matheus em Caxias e as chacinas no Rio são faces da mesma moeda: um sistema que sobrevive através do terrorismo de Estado e da exploração brutal das massas trabalhadoras.

Diante da violência injusta das forças repressivas, cresce a revolta justa das massas. Em Londrina, em fevereiro de 2025, a execução dos jovens Wender Natan e Kelvin William provocou uma rebelião popular, com ônibus incendiados e vias bloqueadas por horas. Em Mandacaru, o povo não recuou diante dos fogos de artifício e das barricadas. A solidariedade e a oração dos fiéis em frente ao hospital onde Wendel luta pela vida são também formas de resistência contra o arbítrio.

Fonte: anovademocracia.com.br

Publicado em: 2026-01-09 20:27:00 | Autor: Giovanna Maria |

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