O governo brasileiro lançou na quarta-feira (12/11/2025), durante a COP30 em Belém (PA), o Programa Prioritário de Interesse Nacional em Bioinformática (PPI BioinfoBR). A ação reúne MCTI, SENAI e CNI com o objetivo de conectar tecnologia, biodiversidade e política industrial, ampliando a infraestrutura científica e criando oportunidades para o desenvolvimento de soluções em biotecnologia, dados e aplicações digitais.
O lançamento ocorreu no estande da CNI e apresentou as bases para a criação de mecanismos de apoio ao desenvolvimento de hardware, software, algoritmos e serviços avançados em bioinformática. A proposta fortalece a integração entre a política de TICs e a agenda de bioeconomia, com foco na soberania tecnológica nacional.
A ministra Luciana Santos destacou que a bioinformática permitirá ao país avançar na criação de soluções científicas e industriais apoiadas na biodiversidade brasileira. Segundo ela, o programa contribuirá para acelerar o uso de tecnologias, como inteligência artificial e computação de alto desempenho, aplicadas aos recursos biológicos do país.
O que é bioinformática
A bioinformática é um campo que combina biologia, tecnologia da informação, estatística e matemática para analisar grandes conjuntos de dados biológicos. O método permite avaliar genomas, proteínas e moléculas, auxiliando em pesquisas e no desenvolvimento de produtos nas áreas de saúde, agricultura, biocombustíveis e cosméticos.
A ministra Luciana Santos afirmou que a iniciativa acompanha o ritmo global das transformações tecnológicas, ampliando a capacidade do país em desenvolver soluções baseadas em dados biológicos. De acordo com o MCTI, a ação reforça o potencial brasileiro na geração de conhecimento aplicado à economia da biodiversidade.
O programa busca aproveitar os recursos biológicos para fortalecer a indústria nacional e ampliar a integração entre ciência, tecnologia e setores produtivos. O objetivo é transformar dados biológicos em soluções industriais de alto impacto.
Execução e estrutura do programa
O modelo apresentado pelo SENAI será executado por sua rede nacional de Institutos de Inovação, que conecta indústrias, universidades e centros de pesquisa. Entre os 28 institutos da rede, 12 são dedicados à bioeconomia e sete às tecnologias da informação, possibilitando ações desde o processamento avançado de dados até o desenvolvimento de produtos industriais.
Segundo Gustavo Leal, diretor-geral do SENAI, a iniciativa integra computação de alto desempenho, inteligência artificial e computação quântica ao desenvolvimento de moléculas derivadas da biodiversidade. O programa ampliará a competitividade industrial ao aproximar ciência e produção.
A estrutura do PPI permitirá que empresas habilitadas pela Lei de TICs direcionem recursos obrigatórios de PD&I para projetos de bioinformática. O objetivo é incentivar parcerias estratégicas, inovação aberta e maior integração entre academia e setor produtivo.
Impactos esperados
O PPI BioinfoBR prevê a criação de uma plataforma nacional de bioinformática interoperável e segura, além de ações para formação e retenção de talentos. O Ministério aponta que o programa fortalecerá o desenvolvimento de tecnologias com impacto direto em setores como agroindústria, saúde, energia, biocombustíveis e biotecnologia.
Para a FIEPA, o lançamento do programa durante a COP30 marca a abertura de novas oportunidades para a Amazônia, com a possibilidade de criação de cadeias produtivas baseadas em bioinsumos e bioativos. O setor industrial prevê ganhos econômicos e expansão de mercados associados à biodiversidade.
Projeções da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) apontam que investimentos de US$ 257 bilhões podem gerar retornos anuais de US$ 593 bilhões até 2050, com redução de áreas degradadas e expansão de cadeias sustentáveis. Os dados indicam que a bioeconomia contribuirá para reduzir emissões acumuladas de CO₂ entre 2020 e 2050.
Objetivos do PPI BioinfoBR
O programa reúne metas estruturantes para ampliar a capacidade nacional em bioinformática. Entre os objetivos estão:
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Implantar uma plataforma nacional interoperável e segura.
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Desenvolver programas de formação e retenção de talentos.
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Ampliar o acesso a ferramentas avançadas de TICs, incluindo computação quântica.
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Implementar mecanismos de inovação aberta entre empresas e instituições científicas.
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Integrar o PPI BioinfoBR a outros Programas Prioritários de Interesse Nacional.
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Expandir a cooperação internacional em bioinformática e TICs.
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Apoiar projetos industriais com impacto econômico e social.
O programa encontra-se em fase final de modelagem e poderá incorporar novas demandas de empresas, instituições científicas e parceiros internacionais.
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Fonte: jornalgrandebahia.com.br
Publicado em: 2025-11-20 08:00:00 | Autor: Redação do Jornal Grande Bahia |

