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Brasil e Irã devem dialogar como potências regionais e ignorar pressões do Ocidente, diz analista

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Brasil e Irã devem dialogar como potências regionais e ignorar pressões do Ocidente, diz analista

Brasil e Irã devem dialogar como potências regionais e ignorar pressões do Ocidente, diz analista

Sputnik Brasil

Brasil mantém relações comerciais superavitárias com o Irã e deve manter contatos, independente das pressões do Ocidente, acreditam especialistas ouvidos pela… 27.06.2025, Sputnik Brasil

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Na quinta-feira (26), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, agradeceu ao Brasil pela sua reação diante dos ataques de EUA e Israel contra o país. Anteriormente, o Itamaraty condenou “com veemência” os ataques a instalações nucleares, classificando-os de violação da soberania do Irã.O Brasil ainda patrocinou a declaração do BRICS, fórum no qual o Irã é membro permanente, contra a escalada da situação de segurança no Oriente Médio.”O BRICS permanece comprometido com a promoção da paz e da segurança internacionais e com o fomento da diplomacia e do diálogo pacífico como único caminho sustentável para a estabilidade duradoura”, declararam os países-membros do bloco.A solidariedade brasileira com o Irã é fruto de relações bilaterais de longa data entre essas duas potências regionais, disse o professor de Relações Internacionais e mestre em estudos regionais do Oriente Médio, Jorge Mortean.Apesar das sanções impostas pelos EUA contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, o Brasil mantém relações comerciais bastante vantajosas com o país persa, relatou Mortean.”Antigamente, o Irã era superavitário nas suas relações comerciais com o Brasil. Mas com a Revolução Islâmica, e depois a eclosão da guerra Irã-Iraque [entre 1980 e 1988], essa balança virou, e o Brasil passou a exportar mais para o Irã”, notou Mortean.O cofundador e pesquisador sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM), Najib Khouri, que esteve no Irã durante os anos de transição revolucionária, conta que o embargo norte-americano levou os iranianos a buscar novos mercados no Sul Global.Para substituir os EUA, o Irã focou suas atenções não só no Brasil, mas também na Argentina e Uruguai, outros grandes fornecedores de proteínas animais e vegetais.”Juntou a fome com a vontade de comer, e o Brasil se transformou em um importante fornecedor para o Irã”, relatou Khouri. “E até hoje mantemos essa posição, em uma postura neutra, comercial e pragmática.”De fato, atualmente o Brasil é “consistentemente superavitário” no seu comércio com o Irã, apontou Khouri. De acordo com Mortean, o Irã é o parceiro brasileiro no Oriente Médio que garante maior superávit comercial para o Brasil.A boa performance brasileira vem apesar das sanções econômicas impostas contra a República Islâmica. Segundo Mortean, as sanções “encarecem, mas não inviabilizam” as transações financeiras entre Brasil e Irã.”O Brasil não adota sanções comerciais ou de nenhum tipo contra o Irã. As sanções foram aplicadas exclusivamente por União Europeia [UE] e EUA, por razões políticas”, disse Mortean. “Eles entendem que o regime iraniano atualmente é hostil aos seus interesses, tanto na região quanto no resto do mundo.”Segundo o especialista, o Brasil “passa ao largo de tudo isso”, por manter “relações pacíficas com o Irã” e uma diplomacia que “prega a neutralidade e a não intervenção em assuntos domésticos alheios”.Além disso, as sanções norte-americanas abarcam finanças e tecnologia, e não o setor de alimentos. Nesse contexto, o agronegócio brasileiro exporta para o Irã sem ameaças de sanções secundárias por parte dos EUA, disse o professor Mortean.”Além das relações comerciais, temos cooperação no campo técnico-científico, nas áreas de petróleo, engenharia de hidrocarbonetos, minérios e minerais”, notou Mortean. “Temos intercâmbios estudantis, principalmente na área de medicina, como no caso da cooperação entre universidades federais brasileiras e a Universidade de Teerã.”As relações bilaterais consolidadas ganharam mais um componente multilateral com a entrada do Irã no BRICS, durante a Cúpula de Kazan do bloco em 2024. Na qualidade de membros permanentes do grupo, Brasil e Irã deverão coordenar posições em todas as áreas de cooperação do BRICS.”Isso trará vantagens políticas e econômicas para ambas as partes, porque fortalece o BRICS internamente”, disse Mortean. “Uma possível entrada do Irã no Banco do BRICS [Novo Banco de Desenvolvimento], poderia garantir ferramentas mais seguras para transações financeiras com o Irã.”Impacto do conflito militarO conflito militar desencadeado pelos ataques de Israel e EUA contra o território do Irã neste mês de junho trouxe incerteza sobre a continuidade do comércio entre Brasília e Teerã. Para Khouri, o conflito não necessariamente trará prejuízos financeiros ao Brasil.Para o especialista, a possibilidade de imposição de mais sanções contra o Irã por parte da UE tampouco afetará negativamente o Brasil. Em caso de não prolongamento do acordo nuclear iraniano, assinado em 2015 pelos membros do Conselho de Segurança e UE, mas do qual os EUA se retiraram unilateralmente em 2018, a UE poderá acionar novas sanções já em setembro de 2025.”Isso mesmo no caso de mais sanções contra o Irã, impostas pela UE com o fim do acordo nuclear. Lembremos que no caso do Iraque, era permitido remédios e alimentos”, notou Khouri. “Ao contrário, países neutros como o Brasil podem inclusive se beneficiar, garantindo seu lugar no mercado iraniano.”Em um ambiente internacional polarizado entre Ocidente coletivo e países soberanistas, é vantajoso ao Brasil manter relações diplomáticas e comerciais com o Irã, acredita Khouri.”Manter as relações comprova a neutralidade brasileira e impõe a soberania nas relações externas do Brasil. Na minha opinião, a tendência é de que as relações não só continuem, como cresçam”, concluiu o especialista.

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Brasil mantém relações comerciais superavitárias com o Irã e deve manter contatos, independente das pressões do Ocidente, acreditam especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil. Duas potências regionais parceiras no BRICS, Brasil e Irã, têm responsabilidade diplomática comum para construção do mundo multilateral.

Na quinta-feira (26), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, agradeceu ao Brasil pela sua reação diante dos ataques de EUA e Israel contra o país. Anteriormente, o Itamaraty condenou “com veemência” os ataques a instalações nucleares, classificando-os de violação da soberania do Irã.

“Expressamos nossos mais sinceros agradecimentos aos países que se sensibilizam com essas questões humanitárias, como os direitos internacionais”, afirmou o embaixador iraniano, conforme reportou a CNN Brasil.

O Brasil ainda patrocinou a declaração do BRICS, fórum no qual o Irã é membro permanente, contra a escalada da situação de segurança no Oriente Médio.

“O BRICS permanece comprometido com a promoção da paz e da segurança internacionais e com o fomento da diplomacia e do diálogo pacífico como único caminho sustentável para a estabilidade duradoura”, declararam os países-membros do bloco.

A solidariedade brasileira com o Irã é fruto de relações bilaterais de longa data entre essas duas potências regionais, disse o professor de Relações Internacionais e mestre em estudos regionais do Oriente Médio, Jorge Mortean.

“Brasil e Irã costumam ter um histórico de se apoiarem em decisões multilaterais, considerando que somos potências regionais nas nossas respectivas áreas”, disse Mortean à Sputnik Brasil. “Isso nos traz responsabilidade diplomática comum, dados os nossos respectivos pesos geopolíticos, e gera um movimento positivo, de ganhos para ambas as nações.”

Apesar das sanções impostas pelos EUA contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, o Brasil mantém relações comerciais bastante vantajosas com o país persa, relatou Mortean.

“Antigamente, o Irã era superavitário nas suas relações comerciais com o Brasil. Mas com a Revolução Islâmica, e depois a eclosão da guerra Irã-Iraque [entre 1980 e 1988], essa balança virou, e o Brasil passou a exportar mais para o Irã“, notou Mortean.

O cofundador e pesquisador sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM), Najib Khouri, que esteve no Irã durante os anos de transição revolucionária, conta que o embargo norte-americano levou os iranianos a buscar novos mercados no Sul Global.

“O Irã é um país que necessita de proteínas animais e vegetais. Isto é, carnes e milho, soja e seus derivados. E, antes da revolução, importava esses produtos dos EUA”, disse Khouri à Sputnik Brasil. “Quando veio o boicote dos EUA, o Irã buscou outros mercados, principalmente na América do Sul.”

Para substituir os EUA, o Irã focou suas atenções não só no Brasil, mas também na Argentina e Uruguai, outros grandes fornecedores de proteínas animais e vegetais.

“Juntou a fome com a vontade de comer, e o Brasil se transformou em um importante fornecedor para o Irã“, relatou Khouri. “E até hoje mantemos essa posição, em uma postura neutra, comercial e pragmática.”

De fato, atualmente o Brasil é “consistentemente superavitário” no seu comércio com o Irã, apontou Khouri. De acordo com Mortean, o Irã é o parceiro brasileiro no Oriente Médio que garante maior superávit comercial para o Brasil.

“A nossa balança comercial hoje flutua entre os US$ 2 bilhões [cerca de R$ 10,9 bilhões] e US$ 3 bilhões [cerca de R$ 16,4 bilhões], praticamente toda composta por exportações brasileiras para o Irã”, disse Mortean. “O fluxo comercial é 95% superavitário para o Brasil.”

A boa performance brasileira vem apesar das sanções econômicas impostas contra a República Islâmica. Segundo Mortean, as sanções “encarecem, mas não inviabilizam” as transações financeiras entre Brasil e Irã.

“O Brasil não adota sanções comerciais ou de nenhum tipo contra o Irã. As sanções foram aplicadas exclusivamente por União Europeia [UE] e EUA, por razões políticas”, disse Mortean. “Eles entendem que o regime iraniano atualmente é hostil aos seus interesses, tanto na região quanto no resto do mundo.”

Segundo o especialista, o Brasil “passa ao largo de tudo isso”, por manter “relações pacíficas com o Irã” e uma diplomacia que “prega a neutralidade e a não intervenção em assuntos domésticos alheios”.

“Claro que somos afetados pelas sanções, que complicam as transações com o Irã. Afinal, o sistema internacional financeiro não é comandado por nós, mas sim pelas potências do Hemisfério Norte, principalmente os EUA”, disse Mortean. “Mas, ainda assim, é possível triangular pagamentos.”

Além disso, as sanções norte-americanas abarcam finanças e tecnologia, e não o setor de alimentos. Nesse contexto, o agronegócio brasileiro exporta para o Irã sem ameaças de sanções secundárias por parte dos EUA, disse o professor Mortean.

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“Além das relações comerciais, temos cooperação no campo técnico-científico, nas áreas de petróleo, engenharia de hidrocarbonetos, minérios e minerais”, notou Mortean. “Temos intercâmbios estudantis, principalmente na área de medicina, como no caso da cooperação entre universidades federais brasileiras e a Universidade de Teerã.”

As relações bilaterais consolidadas ganharam mais um componente multilateral com a entrada do Irã no BRICS, durante a Cúpula de Kazan do bloco em 2024. Na qualidade de membros permanentes do grupo, Brasil e Irã deverão coordenar posições em todas as áreas de cooperação do BRICS.

“Isso trará vantagens políticas e econômicas para ambas as partes, porque fortalece o BRICS internamente”, disse Mortean. “Uma possível entrada do Irã no Banco do BRICS [Novo Banco de Desenvolvimento], poderia garantir ferramentas mais seguras para transações financeiras com o Irã.”

Impacto do conflito militar

O conflito militar desencadeado pelos ataques de Israel e EUA contra o território do Irã neste mês de junho trouxe incerteza sobre a continuidade do comércio entre Brasília e Teerã. Para Khouri, o conflito não necessariamente trará prejuízos financeiros ao Brasil.

“Um conflito no Irã não necessariamente vai gerar perdas para as exportações brasileiras”, disse Khouri. “Primeiro, vemos que esse conflito cedeu. Em segundo lugar, conflitos não afetam prioritariamente o comércio de alimentos.”

Para o especialista, a possibilidade de imposição de mais sanções contra o Irã por parte da UE tampouco afetará negativamente o Brasil. Em caso de não prolongamento do acordo nuclear iraniano, assinado em 2015 pelos membros do Conselho de Segurança e UE, mas do qual os EUA se retiraram unilateralmente em 2018, a UE poderá acionar novas sanções já em setembro de 2025.

“Isso mesmo no caso de mais sanções contra o Irã, impostas pela UE com o fim do acordo nuclear. Lembremos que no caso do Iraque, era permitido remédios e alimentos”, notou Khouri. “Ao contrário, países neutros como o Brasil podem inclusive se beneficiar, garantindo seu lugar no mercado iraniano.”

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Em um ambiente internacional polarizado entre Ocidente coletivo e países soberanistas, é vantajoso ao Brasil manter relações diplomáticas e comerciais com o Irã, acredita Khouri.

“Manter as relações comprova a neutralidade brasileira e impõe a soberania nas relações externas do Brasil. Na minha opinião, a tendência é de que as relações não só continuem, como cresçam“, concluiu o especialista.

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Fonte: noticiabrasil.net.br

Publicado em: 2025-06-27 11:02:00 | Autor: |

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