O Paris Saint-Germain vinha de vitórias em sequência por 3 a 0, 5 a 0 e 4 a 0, triunfos facílimos sobre Reims, Inter de Milão e Atlético de Madrid que lhe renderam respectivamente o título da Copa da França, a conquista da Champions League e uma estreia imponente na Copa do Mundo de Clubes.
Contra o Botafogo, perdeu: 1 a 0.
O campeão sul-americano conseguiu um raro resultado diante do campeão europeu na segunda rodada do Mundial, nos Estados Unidos. Igor Jesus marcou o gol que definiu o placar no Rose Bowl, em Pasadena, na noite de quinta-feira (19), um passo importante na tentativa do time alvinegro de sobreviver à chave apontada como a mais difícil da competição.
Foi o primeiro triunfo de um clube da América do Sul sobre um da Europa em um jogo oficial desde 2012, quando o Corinthians conquistou o Mundial em cima do inglês Chelsea. De lá para cá, quatro brasileiros tentaram a sorte na decisão: o Grêmio perdeu para o Real Madrid (2017), o Flamengo caiu diante do Liverpool (2019), o Palmeiras foi superado pelo Chelsea (2021), e o Fluminense apanhou do Manchester City (2023).
A disputa deste ano é em novo formato, igual ao usado até a última Copa do Mundo de seleções. A versão em andamento da competição é, dessa maneira, chamada de Copa do Mundo de Clubes e tem uma fase de grupos. Na primeira rodada, houve dois confrontos entre brasileiros e europeus, ambos concluídos com o placar de 0 a 0: Palmeiras x Porto e Fluminense x Borussia Dortmund.
Na segunda, o Botafogo derrotou o PSG e assumiu a liderança do Grupo B, com seis pontos, contra três da agremiação francesa e três também do Atlético de Madrid –que derrotou o Seattle Sounders por 3 a 1. Na rodada derradeira, na próxima segunda (22), o clube carioca vai jogar contra o Atlético, enquanto o PSG enfrentará o Seattle, que tem zero ponto e está praticamente eliminado.
O regulamento prevê o confronto direto como primeiro critério de desempate. No caso de um empate tríplice, valem os resultados nos embates entre os três times. Dessa maneira, o Botafogo entrará na última rodada com a possibilidade de perder por um gol de diferença e avançar às oitavas de final.
Antes de fazer conta, os torcedores alvinegros celebram o relevante triunfo. E não se importam com o fato de que o PSG não entrou em campo com todos os seus titulares –Dembélé, lesionado, e Marquinhos, poupado, não atuaram; Nuno Mendes, João Neves e Fabián Ruiz foram acionados somente aos dez minutos etapa final.
Mesmo assim, a partida começou como se imaginava, com o PSG no campo de ataque, exercendo seu jogo de pressão e controlando a posse de bola –72% no primeiro tempo, segundo a estatística oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol). O ótimo ponta-esquerda georgiano Khvicha Kvaratskhelia dava muito trabalho e em cinco minutos conseguiu duas finalizações perigosas.
Passados os 15 minutos iniciais, porém, o Botafogo conseguiu um bom encaixe na marcação. Não que a formação parisiense não levasse perigo, com presença constante no entorno da área, porém a equipe brasileira mostrava disciplina para fechar os espaços e, sobretudo, limitar a atuação do meio-campista Vitinha.
Quando teve uma chance de contra-atacar, aos 36, o time preto e branco foi eficaz. Artur brigou pela bola no meio-campo, e ela chegou a Savarino, que executou passe preciso para Igor Jesus entre os zagueiros. O atacante dominou, fintou Pacho e teve sorte na finalização, fora do alcance do goleiro Donnarumma por causa de desvio no próprio Pacho.
A vantagem foi sustentada em uma etapa final na qual o PSG sofreu para criar grandes oportunidades. A melhor apareceu aos seis minutos, em cobrança de falta de Vitinha desviada de cabeça por Gonçalo Ramos, com boa defesa de John. Do outro lado, Savarino teve também uma chance, porém cabeceou mal.
O técnico da equipe francesa, Luis Enrique, então, acionou alguma das peças que tinha guardado, entre elas os habituais titulares Mendes, Ruiz e Neves. Também entraram os atacantes Barcola e Lee Kang-In, o que não foi suficiente para evitar uma vitória muito festejada pelos botafoguenses.
“É sobrenatural”, resumiu o volante Marlon Freitas, ainda no gramado do Rose Bowl. “O PSG é uma grande equipe, coletivamente e individualmente. Eu acredito que o Botafogo tinha 1% [de chance] de ganhar este jogo, mas 1% para a gente é muito.”
Publicado em: 2025-06-20 00:01:00 | Autor: |



